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Coordenação

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Maria das Graças M. Freire

Doutora em Biologia Funcional e Molecular pela UNICAMP
Mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF
Graduada em Química pela UFRJ

e-mail: freire.mgm@gmail.com
Tel: (22) 2726-2721
Horário de Atendimento: 2ª a 6ª feira, das 19h às 23h

Palavra da Coordenadora

A sociedade de hoje, diferentemente das precedentes, não se apoia sobre um setor único, centralizado, mas sobre uma pequena rede de setores e fatores no mesmo nível de importância (a informação, a ciência, os serviços, a própria indústria). Na sociedade pós-industrial a nova divisão internacional do saber, poder e trabalho determina novas equações entre diferentes países, de modo que alguns produzam as inovações e outros as experimentem. Os primeiros adquirem a consciência do próprio poder e os segundos observam sua condição subalterna e vêem nela motivo de desalento (1).

Daniel Bell (2) aponta quatro princípios fundamentais vigentes na sociedade pós-industrial: a preponderância dos técnicos e profissionais liberais como classe; a centralização do saber teórico, gerador da inovação e das idéias diretrizes em que se inspira a coletividade; a gestão do desenvolvimento técnico e o controle normativo da tecnologia e a criação de uma nova tecnologia industrial. Para o professor de Harvard, esse novo tipo de sociedade não depende do regime político de um país, mas do seu nível tecnológico, do papel da ciência e do mercado de trabalho.

Uma vez que a ciência abriu novos campos e inventou novos produtos, uma vez que os grupos dirigentes decidiram traduzir as invenções em bens e serviços, a população finalmente pode adquirir e desfrutar dos produtos previamente divulgados pelo marketing. Para Domenico de Masi (1) o longo processo produtivo requer quatro etapas:

  • Primeira fase (invenção): numa infinidade de lugares e laboratórios são produzidas idéias, descobertas e invenções. Através de congressos e publicações os diferentes centros produtores de novas luzes, tomam conhecimento dos mais diferentes achados. Mas os produtores de idéias não estão em condições de decidir o uso das suas invenções.
  • Segunda fase (decisão): para os detentores do poder tomarem a decisão do que será produzido, dependem por sua vez daqueles que detêm o saber. Enquanto na sociedade industrial a força de uma classe dependia da posse dos meios de produção (matérias- primas, capitais e fábricas) na sociedade pós-industrial a força depende da posse dos meios de idealização e de informação. Cresce o valor das universidades, laboratórios e patentes.
  • Terceira fase (produção): uma vez tomada a decisão de traduzir a nova idéia em milhões de cópias concretas, passa-se à produção propriamente dita, que pode acontecer num lugar totalmente diferente de onde a idéia foi concebida.
  • Quarta fase (consumo): quando o produto finalmente fica pronto, é distribuído, vendido e consumido por massas de usuários, que deste modo são "colonizados".

Desenha-se assim uma nova divisão internacional de trabalho, pela qual algumas áreas mantêm o monopólio da pesquisa científica e do poder político, outras produzem e outras limitam-se ao simples consumo. No âmbito da comunidade multinacional, existem países que detêm a primazia da pesquisa, outros que não têm propriedade da patente mas têm os meios de produção e outros ainda que são forçados ao papel de consumidores dos produtos e das idéias alheias. Vai-se afirmando uma drástica hierarquia entre os países e os grupos hegemônicos, que monopolizam as atividades criadoras científicas e artísticas: os países emergentes que executam atividades produtivas e executivas e os países subdesenvolvidos, condenados ao simples consumo passivo, pago com matérias-primas, subordinação militar e trabalhos servis (3).

Pode-se ainda citar algumas transformações acontecidas na sociedade pós-industrial:

  • à medida que as máquinas absorvem o trabalho repetitivo de mera execução (seja ele físico ou intelectual), aos trabalhadores resta o monopólio do trabalho criativo, que empenha mais cérebro do que músculos (4);
  • lamentavelmente, a evolução social é bem mais lenta do que a científica e tecnológica, pelo que demora a colocar em ação os mecanismos de redistribuição das tarefas, de modo que todos possam trabalhar e trabalhar menos;
  • na esfera do trabalho organizado, as transformações em curso determinam a rápida eliminação da fadiga física, a drástica redução do horário de trabalho, o maciço deslocamento da atenção do lugar e do tempo da produção material para lugares e tempos da introspecção, do convívio, do jogo e da amizade; do que Agnes Heller (5) chamou de necessidades “radicais” em contraposição às necessidades “alienadas” do poder, da posse e do dinheiro.
  • difunde-se cada vez mais a exigência de uma organização na qual reine a máxima difusão das informações e a possibilidade de intercâmbio de tarefas. A especialização será válida na medida em que permita o trabalho interdisciplinar.

É para o enfrentamento desta nova sociedade, que o Centro de Pesquisas do ISECENSA contribui, incentivando vários projetos de pesquisa em diferentes áreas do conhecimento.

Bibliografia

  1. DE MASI, Domenico. O futuro do trabalho. 7a ed. Trad. Yadyr A. Figueiredo. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.
  2. BELL, Daniel. O advento da sociedade pós-industrial: uma tentativa de previsão social. Trad. Heloysa de Lima Dantas. São Paulo: Cultrix, 1977.
  3. DE MASI, Domenico. A sociedade pós-industrial. 3. ed. Trad. Anna Maria Capovilla, Luiz Sérgio do N. Henriques, Marco Aurélio Nogueira, Maria Cristina G. Cupertino, Renato Ambrósio. São Paulo: Senac, 2003.
  4. DE MASI, Domenico. O ócio criativo. Trad. Lea Manzi. Rio de Janeiro: GMT Editores, 2000.
  5. HELLER, A. Sociologia della vita quotidiana. Roma: Editori Riuniti, 1975.